Inovar na sustentabilidade

 Por Rodrigo da Rocha Loures*

Quem examina a história do desenvolvimento com um olhar de longo prazo sabe que o aumento da produtividade, da renda e mesmo da esperança de vida é um fato muito recente.Muito do que se identifica como progresso está intimamente ligado à moderna sociedade industrial. O aumento sistemático da produtividade está no âmago dessa trajetória.

Hoje, contudo, somos muito mais céticos sobre as conquistas desta civilização material e estamos revendo muitos de nossos valores. Deixamos de tratar como sinônimos o progresso material e a melhoria da vida.Esse ceticismo é parte essencial da crise da sociedade humana nesse século. Estamos cada dia mais conscientes dos limites do consumo perdulário e da exploração de recursos naturais finitos.

Mas será que ainda há espaço para a esperança iluminista que alimentava o sonho de progresso e pleno desenvolvimento das capacidades da humanidade? Creio que há, e muito.

Contudo, um mundo sustentável depende, incondicionalmente, da capacidade humana de inovar na sociedade, nos governos, na academia e na indústria. E mais. As inovações de que necessitamos não são de qualquer natureza. Elas têm que ser concebidas dentro de princípios de sustentabilidade. Precisamos, portanto, de um novo paradigma, uma nova linguagem e um novo entendimento das coisas. Inovação é a manifestação prática da sustentabilidade. Sustentabilidade é a outra face do desenvolvimento.

Peter Drucker já dizia que todos os problemas do planeta devem ser vistos como oportunidades de negócio. Agora, mais do que nunca, essa é uma verdade incontestável. Por isso devemos desenvolver a habilidade de gerar inovações para criar valor de forma sustentável. É possível lucrar fazendo bem ao planeta.

Esses novos desafios exigem respostas criativas e ambientes propícios para que se possa mobilizar o que de melhor a humanidade possui. Sua condição humana, o conhecimento, suas capacitações.

Especialmente as empresas e as universidades têm muito o que fazer no campo da inovação. Mas para além da pesquisa, da difusão do conhecimento, há uma responsabilidade maior de ambas, que é incorporar em suas estratégias o tema da sustentabilidade.

É a determinação e o entendimento acerca da necessidade de assegurar formas sustentáveis de desenvolvimento das novas gerações que pode nos trazer esperança num futuro melhor.

*Rodrigo da Rocha Loures é Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e Presidente do Conselho de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fonte: Gente que Inova

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Sobre globalforumal

Global Forum América Latina é um movimento de inovação criativa para a cooperação entre universidades, empresas, poder público e sociedade com foco na sustentabilidade.
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