Os passos rumo à consolidação da sustentabilidade no modelo de negócio

 Por Leticia Born

    Para transformar a sustentabilidade em valor intrínseco da estratégia de negócio, não bastam ações pontuais e estratégias esparsas. Com o objetivo de estruturar os esforços em sustentabilidade, é recomendável que as empresas construam uma plataforma sólida de engajamento interna e externamente, de modo que se crie um ambiente cultural propício para a abordagem efetiva do tema sob a forma de atitudes.

De acordo com a Kanal Consulting, consultoria norte-americana especializada em elaborar estratégias de sustentabilidade corporativa,  cinco fases normalmente são percorridas para que a empresa alcance um estágio autêntico de incorporação da sustentabilidade ao seu negócio. Essa sistematização de uma suposta “jornada para a sustentabilidade” foi criada a partir de um trabalho de pesquisa realizada pela Kanal com diversas empresas. Nem sempre as ações voltadas para a sustentabilidade começam pela ordem abaixo, mas para a maioria das organizações consultadas, a sequência das escalas foi esta:

1. Plantio da semente

O primeiro estágio se inicia quando as ações sustentáveis são mobilizadas por um número pequeno de funcionários. Essas iniciativas compreendem reciclagem, substituição dos copos de papel por plástico, dentre outras.

Apesar de discretas, essas ações são significativas para o processo de engajamento dos funcionários em torno da causa da sustentabilidade, já que a falta de empenho é vista pelos líderes de grandes empresas como o maior empecilho na jornada, de acordo com o estudo da Kanal.

Neste contexto, “equipes verdes” são formadas e algumas atribuições são designadas, de forma voluntária. Nem sempre essa movimentação se torna visível aos executivos de cargos altos. Eventualmente, quando isso acontece, tais executivos se surpreendem com a rapidez das iniciativas e com o número de funcionários que já estão envolvidos com a causa.

2. Unidades funcionais

Nesta fase, uma ou duas unidades da empresa se envolvem de maneira mais forte com a causa. Normalmente, tal postura nasce dos departamentos de processos ou TI. É neste momento que as lideranças de tais unidades começam a impor metas e atribuições de responsabilidade.

Com mais organização e visibilidade, os gerentes acabam disponibilizando mais recursos para a expansão dos esforços em sustentabilidade.

Eficiência energética na iluminação e reciclagem de embalagens são alguns exemplos de ações destas unidades. Entretanto, o engajamento nestas iniciativas segue limitado à minoria dos funcionários e esses esforços ainda não são captados pelo radar dos executivos.

3. Estratégia

Assim que tais unidades ganham mais prestígio, a empresa chega ao momento de virada: quando os executivos tomam conhecimento e passam a se interessar, estrategicamente, pelas pequenas iniciativas das unidades. Assim, a alta gestão engaja-se e transforma a causa em elemento-chave do negócio.

Uma equipe é montada e a mensuração relativa às frentes em sustentabilidade é iniciada. Além da criação de um departamento especial para a causa, uma mudança cultural começa a tomar vida entre os funcionários da empresa, que entendem que a sustentabilidade vai além de uma vontade de poucos e se tornou uma prioridade da empresa tangibilizada em atitudes da marca. Os funcionários entendem, portanto, que eles têm um papel a cumprir com relação ao tema.

4. Ecossistema

Esta etapa se refere ao engajamento de todos os públicos para a construção de uma cadeia de produção alinhada à atitude sustentável. Os fornecedores são convidados a participar da estratégia e a empresa, por sua vez, torna-se cada vez mais crítica e exigente com os novos stakeholders. Agentes que antes não tinham importância efetiva no ecossistema das empresas passam a ser incluídos, como as ONGs e os próprios consumidores. Com isso, há maior cooperação na busca de metas e as ONGs, em particular, jogam luz sobre a questão dos recursos globais e ajudam as empresas a priorizarem suas iniciativas.

5.  DNA

O último estágio acontece quando a sustentabilidade está tão incorporada à essência e estratégia da empresa, que ela pode ser considerada parte de seu DNA. As empresas vão além de sua área de atuação e engajam indivíduos, comunidades e outros negócios, em um conjunto de atitudes que elevam a percepção de valor da marca. Os funcionários acreditam na causa, atuam sobre ela e são julgados a partir dela, pois são os maiores responsáveis pela geração de experiências que comprovem tal crença.

Fonte: Com atitude

Sobre globalforumal

Global Forum América Latina é um movimento de inovação criativa para a cooperação entre universidades, empresas, poder público e sociedade com foco na sustentabilidade.
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