As empresas precisam ser como estúdios de design

Por Lincoln Seragini

Ninguém mais tem dúvidas sobre a importância da inovação para o futuro das empresas. Na prática, entretanto, poucas delas realmente se transformam em uma organização inovadora. A boa notícia é que é possível aprender a inovar, tanto a organização quanto as equipes e os indivíduos.

Somos todos inovadores
Até pouco tempo atrás, havia um mito de que, para ser inovador, a pessoa deveria ser um gênio e que dependia de grandes ideias e estalos para ser bem sucedida. O que se sabe hoje, é que toda pessoa em condições normais de saúde é criativa e pode ser produtiva nos ciclos de gerar ideias (criatividade), inovação (viabilização de ideias) e empreendedorismo (transformar ideias em negócio).

Participar mais ou menos em qualquer um desses ciclos, é uma questão de perfil, interesse e treinamento. Tom Kelley, o diretor-geral da mais famosa empresa de design e inovação norte-americana, a IDEO, em um de seus livros mais originais sobre inovação, “As 10 Faces da Inovação”, identificou os dez tipos ou papéis que as pessoas e as equipes podem desempenhar para serem bem sucedidas em diferentes situações. Seu foco é o desenvolvimento das “personas”, para potencializar a criatividade e o processo de inovação. Além de complementar as habilidades para formar um verdadeiro dream team da inovação, defende a multiplicidade de perfis e experiências para otimizar o resultado. Defende também, veementemente, a extinção do “advogado do diabo”, para ele um dos maiores inimigos da inovação.

Ganhando o jogo da inovação
Para a inovação de fato funcionar, é necessário atuar nos três níveis citados inicialmente: a organização, a equipe e o indivíduo. Se faltar qualquer um deles, o resultado será prejudicado. Da organização se espera desenvolver de fato uma cultura inovadora, tanto para assumir o compromisso de estabelecer uma estratégia inovadora, quanto para dar suporte e apoio incondicional. Da equipe se espera gestão, integração e informações. Do indivíduo, iniciativa e garra para vencer os obstáculos e fazer acontecer.

Comparo essa situação a um grande clube de futebol. Você pode ter uma grande diretoria e infrainstrutura, comissão técnica e uma grande equipe. Para ganhar o jogo, entretanto, além de tudo isso, é preciso o artilheiro para marcar gol. Em resumo, de nada adianta a diretoria cobrar resultado e a equipe gerenciar bem, isto é, ficar rolando a bola no meio do campo. Sem o artilheiro para marcar, não se ganha o jogo. Por melhor que seja a equipe, a responsabilidade é diluída (não é comigo!) e, por melhor que seja o artilheiro, ele não ganha o jogo sozinho (herói morto). Enfim, os três níveis precisam estar em sintonia.

Novo modelo de gestão da inovação
Está surgindo um novo modelo de gestão da inovação, que se aplica mais à inovação do pensamento do que à da tecnológica. É o modelo baseado no pensamento de design (design thinking ), conceito desenvolvido e implementado pela citada empresa de design IDEO, que começou praticando em seus projetos (ela criou, por exemplo, o mouse para a Apple).

Impressionados com os resultados, seus clientes começaram a solicitar à IDEO que treinasse suas próprias equipes com seus métodos. De empresa de projetos, passou a vender consultoria na área de gestão da inovação, baseada no conceito do design thinking. Clientes como a Apple, a Procter & Gamble, a Samsung e várias outras passaram a adotar a sua filosofia.

A IDEO criou também a D-School (Design School) na Universidade de Stanford, considerada a sucessora dos MBAs, pois forma o novo profissional da gestão da inovação, integrando design e business. Seu fundamento é que, para ser bem sucedido na inovação, as pessoas, mesmo não sendo designers, deveriam pensar como um designer, isto é, ser mais criativo do que analítico e olhar toda a solução com os olhos de clientes, não de especialistas.

Os designers são mais otimistas, acreditando que sempre encontrarão uma melhor solução criativa. Os especialistas se primam pela segurança e previsibilidade, baseados no processo analítico. Os designers questionam tudo, se preocupando mais com as perguntas do que com as respostas. São multidisciplinares e integradores e gostam de correr riscos.

E, para complementar, as empresas precisarão cada vez mais ser gerenciadas como um estúdio de design – flexível, criativo, integrador, multifuncional – e observar sempre a partir dos olhos dos clientes. Realizar rapidamente protótipos e testes dos programas e estratégias, tanto para experimentar mais quanto para eliminar mais cedo ideias que não funcionem.

Lincoln Seragini
É presidente da Seragini, Farné, Guardado – Branding by Design. Professor de pós-graduação nas áreas de Branding e Design Innovation na FGV/SP, FIA/USP, Faculdade Rio Branco/SP e Instituto Europeu de Design.

Fonte: http://www.webcriativa.net/blog/?p=120

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